Impacte Ambiental da navegabilidade do Guadiana da foz até Mértola.
Actualmente, o Guadiana é navegável até ao Pomarão por embarcações até 2 m de calado, e com meia maré, até Penha d'Águia. Para passar os vaus que antecedem Mértola, é necessária uma maré com mais de 3,2 metros em Vila Real.
O Plano da bacia hidrográfica do Guadiana, contempla o desenvolvimento da navegabilidade da foz até Mértola, para promover o turismo regional, com alguma reserva para o troço a montante do rio Vascão, onde a preservação dos recursos naturais, é garantida pelo Parque Natural do Vale do Guadiana.
Está projectado adequar e sinalizar o canal navegável do Guadiana entre a barra e Mértola, para a navegação de embarcações até 2,5 m de calado, e com 105 metros de comprimento até ao Pomarão, e de 78 metros até Mértola, independentemente da maré.
Para a navegação entre a foz e o Pomarão serão feitas dragagens pontuais, e para a navegação para montante será construído um açude insuflável com eclusa, e uma bacia de manobras em Mértola com a construção dum cais.
No estudo de impacte ambiental encomendado foram estudados os vários aspectos ecológicos, arqueológicos e sócio-económicos entre outros, e consideradas duas alternativas, a primeira contemplando o troço da foz ao Pomarão e a segunda o troço da foz até Mértola.
Concluiu o mesmo que, se forem implementadas as medidas de minimização propostas para reduzir os impactes desfavoráveis, o saldo global seria positivo para o troço até ao Pomarão, e desfavorável para o troço até Mértola, com danos significativos no sistema ecológico, apesar do reconhecido interesse socio-económico.
No sistema ecológico os maiores prejuízos serão na avifauna e ictiofauna, pelo acréscimo do tráfego fluvial que se prevê aumentar 10 vezes.
Actualmente, em época alta, navegam semanalmente no rio dois barcos hotel para 180 pessoas cada, diariamente quatro barcos marítimo-turísticos com centenas de turistas, e cerca de meia centena de veleiros e um sem número de pequenas embarcações motorizadas.
Na margem Oriental espanhola, a montante da ponte de Vila Real, está em construção a urbanização “Costa Esuri” com 30000 fogos, enquanto a margem Ocidental portuguesa permanece selvagem.
Custa imaginar o que farão 10 vezes mais barcos “por esse rio acima” e os empreendimentos imobiliários de dezenas de milhares de fogos com campos de golfe, ao mais selvagem dos rios portugueses
A água para os projectos imobiliários, campos de golfe e enorme afluxo turístico será proveniente da depauperada bacia hidrográfica do Guadiana.
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